Coding Tips: Dicas Práticas para Dominar Qualquer Desafio de Programação

Todo programador já passou por isso: você passa horas tentando resolver um bug, só para descobrir que o erro estava em uma vírgula ou em uma variável mal nomeada. Não é falta de talento. É falta de hábitos. A programação não é só sobre escrever código - é sobre escrever código que funciona, que dura e que outros conseguem entender. E isso não vem de livros ou cursos. Vem de pequenos hábitos, repetidos todos os dias.

Escreva código que seu eu do futuro vai agradecer

Imagine que daqui a seis meses você volta para aquele projeto que fez há pouco tempo. Você olha para o código e pensa: “Quem foi esse louco que escreveu isso?”. Provavelmente, você. Ninguém gosta de voltar para código confuso. Mas a maioria das pessoas escreve assim porque está com pressa. O segredo é simples: nomeie coisas com clareza. Não use var1, temp ou data. Use userRegistrationDate, cartTotalAmount, apiResponseTimeout. Sim, é mais longo. Mas é claro. E isso economiza horas de seu tempo futuro.

Um exemplo real: em um projeto de e-commerce que eu vi, um desenvolvedor usou x para armazenar o ID do usuário. Seis meses depois, outro desenvolvedor passou uma semana tentando descobrir o que era x. Quando descobriu, foi só uma variável. Mas o dano já estava feito: o sistema teve um bug de segurança por causa disso. Nomes claros não são só uma boa prática - são uma proteção contra erros caros.

Quebre problemas grandes em partes pequenas

Quando você vê uma tarefa como “criar um sistema de login com autenticação em dois fatores”, é natural querer começar a escrever código imediatamente. Mas isso é como tentar montar um carro sem manual. O jeito certo é dividir.

  • Primeiro: crie a tela de login básica (HTML + CSS)
  • Depois: faça o envio do email com o código
  • Depois: valide o código no backend
  • Depois: salve o estado de autenticação
  • Por fim: trate erros (email inválido, código expirado, tentativas excedidas)

Cada parte é pequena o suficiente para ser testada em 10 minutos. Quando você faz isso, não fica perdido. E quando algo dá errado, você sabe exatamente onde olhar. Isso é o que chamamos de divide e conquista. Funciona em programação, funciona em vida. E é a diferença entre alguém que desiste e alguém que resolve.

Teste antes de entregar - mesmo que ninguém peça

Se você escreve código e só testa quando o chefe pergunta “funcionou?”, você está jogando roleta russa. Testar não é um passo extra. É parte do processo de escrever. E não precisa ser complexo.

Em Python, por exemplo, basta criar um arquivo test_login.py com algumas linhas:

def test_valid_email():
    assert validate_email("[email protected]") == True

def test_invalid_email():
    assert validate_email("invalid-email") == False

Isso não leva mais de 5 minutos. Mas evita que você envie um sistema onde o login aceita qualquer coisa como email. E isso não é teoria. Em 2024, um estudo da University of California mostrou que equipes que escrevem testes simples antes de entregar código têm 40% menos bugs em produção. Não precisa de frameworks pesados. Comece com o básico: escreva um teste para cada função que você cria. Se não consegue testar, o código provavelmente está mal feito.

Desenvolvedor dividindo sistema de login em etapas simples como peças de quebra-cabeça.

Reveja seu próprio código - todos os dias

Um hábito simples que muda tudo: ao final do dia, abra seu código e pergunte: “Se eu não tivesse escrito isso, conseguiria entender?”

Isso não é sobre perfeição. É sobre consciência. Muitos programadores passam o dia inteiro codificando e nunca voltam para revisar. Eles só veem o que está funcionando - não o que está confuso. Mas o código que parece óbvio hoje pode parecer estranho amanhã.

Quando você revisa, você encontra coisas como:

  • Funções com mais de 30 linhas
  • Comentários que não combinam com o código
  • Repetição de lógica em dois lugares diferentes
  • Nomes de variáveis que não fazem sentido

Revisar por 10 minutos por dia é como escovar os dentes. Não é dramático. Mas se você não fizer, o problema cresce. E quando ele explode, você não tem tempo para consertar.

Use ferramentas que fazem o trabalho sujo por você

Se você ainda está formatando código manualmente, parando para colocar espaços, linhas em branco ou chaves na linha certa - você está perdendo tempo. E pior: está criando oportunidades para erros.

Ferramentas como Prettier (para JavaScript), Black (para Python) ou go fmt (para Go) formatam seu código automaticamente. Elas não são opcionais. São obrigatórias. Você não precisa se preocupar com estilo. Elas fazem isso por você. E o melhor: todo mundo no time usa o mesmo padrão. Ninguém discute onde colocar chaves. O computador decide. E você se concentra no que importa: a lógica.

Além disso, use linters. Em Python, o Flake8 ou Pyright avisam quando você usa uma variável que não existe, quando uma função não é usada ou quando o código é muito complexo. Isso é como ter um revisor que está sempre olhando por cima do seu ombro. E ele não se cansa.

Escudo com símbolos de boas práticas de programação protegendo código de erros e bugs.

Escreva menos código - e faça mais

Um dos maiores mitos da programação é que “quanto mais código você escreve, mais produtivo você é”. Isso é falso. O melhor programador não é o que escreve mais linhas. É o que escreve menos - e faz mais.

Um exemplo: em vez de criar uma função para validar email, você pode usar uma biblioteca como email-validator em Python. Ela já lida com casos estranhos: emails com +, domínios internacionais, caracteres especiais. Você não precisa reinventar a roda. E não precisa manter esse código. E não precisa testar tudo de novo.

Use bibliotecas confiáveis. Use funções prontas. Use APIs. Isso não é preguiça. É inteligência. O seu tempo é valioso. Não gaste ele escrevendo código que já existe. Gaste ele resolvendo problemas que ninguém mais resolveu.

Peça ajuda - mas antes, tente sozinho por 20 minutos

Todo mundo tem aquele momento em que fica preso. O código não roda. O erro não faz sentido. A cabeça dói. E aí você chama alguém do time. Mas se você chamar antes de tentar entender, você está criando um vício: dependência.

A regra é simples: se você está preso, tente sozinho por 20 minutos. Faça o seguinte:

  1. Releia o erro. Copie e cole no Google. Não pule essa etapa.
  2. Use o debugger. Passe linha por linha. Veja o valor das variáveis.
  3. Comente partes do código. Vá removendo até o erro desaparecer.
  4. Escreva um exemplo mínimo que reproduza o erro.

Se depois disso você ainda não entende, aí sim peça ajuda. Mas quando pedir, já sabe exatamente o que tentou. Isso faz com que a ajuda seja mais rápida, mais útil e menos frustrante - para você e para quem está ajudando.

Seu código é seu escudo

Cada dica aqui não é só um truque. É uma arma. Nomear bem é seu escudo contra confusão. Testar é seu escudo contra bugs. Revisar é seu escudo contra negligência. Usar ferramentas é seu escudo contra perda de tempo. Escrever menos código é seu escudo contra complexidade. Pedir ajuda no momento certo é seu escudo contra frustração.

Programação não é sobre ser o mais rápido. É sobre ser o mais consistente. E a consistência vem desses pequenos hábitos - repetidos todos os dias. Não espere por um grande momento. Comece agora. Escreva um nome claro. Escreva um teste. Revise seu código. Use uma ferramenta. Faça isso hoje. E amanhã. E depois.

Seu código não vai ser perfeito. Mas vai ser confiável. E isso - mais do que qualquer linguagem, framework ou tecnologia - é o que faz um programador verdadeiro.

Por que nomes de variáveis tão longos são melhores?

Nomes longos e descritivos deixam o código autoexplicativo. Em vez de precisar ler toda a função para entender o que x faz, você vê userLastLoginTime e já sabe. Isso reduz erros, acelera revisões e facilita a manutenção. Não é sobre ser gramaticalmente perfeito - é sobre ser claro.

É preciso escrever testes para tudo?

Não. Mas escreva testes para o que importa: funções que processam dados, validam entradas, interagem com bancos de dados ou APIs. Evite testar componentes de interface simples, como botões que só chamam uma função. Foque no que pode quebrar. Um teste por função crítica é mais valioso do que dez testes superficiais.

Como saber se estou usando muitas bibliotecas?

Se você não consegue explicar por que cada biblioteca está no seu projeto, é sinal de excesso. Cada dependência aumenta o risco de falhas, vulnerabilidades e conflitos. Pergunte: “Essa biblioteca resolve um problema real ou só me faz economizar 2 horas de escrita?”. Se for só isso, talvez seja melhor escrever a lógica você mesmo - ou encontrar uma alternativa mais leve.

Revisar código todo dia é realmente necessário?

Sim - mesmo que você esteja sozinho. O código que você escreveu hoje pode parecer ótimo. Mas daqui a uma semana, você vai ver coisas que não viu antes. Revisar não é sobre corrigir erros - é sobre ver com olhos novos. É como ler um livro que você escreveu: você percebe nuances que não notou na primeira vez.

O que fazer se eu não tenho tempo para seguir todas essas dicas?

Comece com uma. Só uma. Escolha a que mais faz sentido para você agora: nomear variáveis melhor, escrever um teste por função, ou usar um formatter. Faça isso por uma semana. Depois, adicione outra. Não tente mudar tudo de uma vez. Mudança sustentável vem de pequenos passos, não de grandes esforços.

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Feliciano Correia

Feliciano Correia

Sou um especialista em tecnologia com uma paixão por desenvolvimento. Atualmente trabalho como gerente de projetos de TI numa conceituada empresa em Porto. Tenho vasta experiência prática com diversas linguagens de programação, arquitetura de sistemas e gestão de equipas. Adoro escrever sobre tópicos relacionados com o desenvolvimento tecnológico em várias publicações. Fora do trabalho, gosto de passar tempo de qualidade com a minha família e meus animais de estimação.